Língua Portuguesa

Crase – exercício com gabarito

Coloque o acento grave indicativo da crase quando julgar necessário:

 1- Todos ficaram tensos quando os rivais ficaram cara a cara.

2- A enfermeira entregou a receita a médica e entregou a paciente as instruções devidas.

3- A nova funcionária estava disposta a colaborar com a chefe e obedeceu as ordens, viajando a serviço.

4- Os fiéis fizeram alusão a Sua Santidade e rezaram fervorosamente.

5- Ele disse a noiva que o esperasse as 19h a porta do cinema.

6- Fui a casa da minha amiga para assistir a novela.

7- Os peregrinos foram a Israel.

8- Voltei a escola para entregar o trabalho a professora, mas não cheguei a tempo de encontrá-la, então entreguei a alguém da secretaria.

9- Muitos foram a África assistir aos jogos da Copa.

10- A tripulação chegou exausta a terra.

11- A noiva chegou desanimada a terra da sogra.

12- Fui a casa pegar as fotos que lá havia deixado.

13- Fui a casa do meu namorado pegar as fotos que lá havia deixado.

14- Fomos encaminhados a seção de cadastro.

15- Fomos encaminhados a diversas seções.

16- A maior parte da dívida é atribuída a má gestão do governo.

17- Nunca se habituou aquela nova vida.

18- Vimos aquela jogadora discutindo com o novo técnico.

19- O marido disse a esposa que estava a beira de um ataque de nervos, pois gostava de tudo as claras.

20- Dizem que as claras são mais saudáveis que as gemas.

21- Ela adora dançar, mas nunca fora a gafieiras.

22- O professor mostrou a todos a importância da leitura.

23- Assistimos a novela as 19h e depois a um maravilhoso filme.

24- A aula de dança será das 19h as 20h.

25- No feriado, as lojas ficaram abertas de 8h as 11h.

26- Aquele casalzinho apaixonado namora de domingo a sexta.

27- O torneio vai da próxima segunda a próxima sexta.

28- Leio de cinco a dez páginas por dia.

29- Leia da página 5 a 10.

30- Embora seja um excelente advogado, seu escritório vive as moscas.

31- São repugnantes as baratas.

32- Renato sempre viveu a custa da mulher, e Paula vive a sombra do marido.

33- Mãe, não fique preocupada, pois só chegaremos a noite.

34- A noite está maravilhosa com essas estrelas iluminando nossos pensamentos.

35- Os cantores ficavam ansiosos a medida que a plateia chegava.

36- Foi submetida a uma prova decisiva.

37- Comecei a correr quando vi aquela barata a voar pela sala.

38- A funcionária enviei as duplicatas.

39- Não dei a você a chance que merecia.

40- Não nos referimos a este diretor, e sim aquele.

41- Durante a palestra, os alunos saíram e foram a sala de leitura.

42- Este trabalho não compete a ela.

43- Ele está aprendendo a dançar e já está dando uns passos a Michael Jackson.

44- Fomos ao restaurante e pedimos arroz a grega com um bom vinho e começamos a relembrar o passado.

45- Em relação a isso, prefiro nada comentar.

Gabarito:

2- à médica; à paciente

3- às ordens

5- à noiva; às 19h; à porta

6- à casa; à novela

8- à escola; à professora

9- à África

11- à terra da sogra

13- à casa do meu namorado

14- à seção

16- à má

17- àquela

19- à esposa; à beira de; às claras

23- à novela; às 19h

24- das 19h às 20h

27- da próxima segunda à próxima sexta

29- 5 à 10

30- às moscas

32- à custa da; à sombra do

33- à noite

35- à medida que

38- À funcionária

40- àquele

41- à sala de leitura

43- à Michael Jackson

44- à grega

( Texto publicado anteriormente em 10 de agosto de 2011, às 12:21. )

Literatura Brasileira

Semana de Arte Moderna

A Semana de Arte Moderna: conflito entre a tradição e a vanguarda

O período de transformações culturais que culminou com a realização da Semana de Arte Moderna começou a se delinear bem antes de 1922. Em 1917, o cenário cultural agitou-se com a realização de uma exposição de quadros da pintora Anita Malfatti.

Presente à exposição, o escritor Monteiro Lobato publicou, no dia 20 de dezembro, um polêmico artigo – A propósito da exposição Malfatti – no jornal O Estado de S. Paulo, em que criticava o estilo vanguardista da pintora. Paranoia ou Mistificação? acabou por se transformar no título desse artigo, quando foi publicado em livro. Lobato questionava, em seu texto, se o que os jovens artistas chamavam de “arte” não seria, na verdade, o resultado de brincadeiras juvenis ou de mentes paranoicas. Ele fazia também referências aos estudos de Anita Malfatti nos Estados Unidos (“americanos malucos”) e a Oswald de Andrade (“poetas elegantes, apesar de gordos”). O prestígio de Lobato e o poder corrosivo de suas palavras tiveram repercussão: algumas telas que já tinham sido vendidas foram devolvidas e a pintora passou por uma crise de criação.

Um grupo de modernistas, formado por escritores, músicos e artistas plásticos decide, em razão do ocorrido, unir-se na tentativa de tornar mais visíveis para a opinião pública as novas tendências artísticas trazidas da Europa. Surge, então, a ideia de realizar um festival para expor a arte moderna: num mesmo lugar, estariam reunidas telas e esculturas, seriam realizados recitais de música e poesia, espetáculos de dança e palestras.

O ano de 1922 era oportuno porque podia ser visto como um marco da modernização do Brasil, que, ao completar cem anos de independência, passava por um surto de desenvolvimento urbano e industrial. A ideia de que a essa modernização deveria corresponder uma renovação cultural passava pela cabeça de muitos filhos de fazendeiros e industriais que haviam estudado na Europa. Foi assim que o grupo de jovens modernistas acabou encontrando patrocínio para a realização da Semana de Arte Moderna em fevereiro de 1922.

Coube a Menotti del Picchia anunciar o evento, sob o pseudônimo de Hélios, em sua coluna no Correio Paulistano. Com a finalidade de atrair para o evento a elite social paulistana, a Semana de Arte Moderna foi apresentada como uma festa mundana, que poderia ser comparada ao baile dos Campos Elísios, o mais importante acontecimento social da época.

Do grupo de modernistas que idealizou a programação e atuou nos eventos, estavam os escritores: Graça Aranha, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Menotti del Picchia, Ronald de Carvalho, Guilherme de Almeida, Sérgio Milliet; os artistas plásticos: Anita Malfatti, Vicente do Rego Monteiro, Di Cavalcanti, Victor Brecheret; e os músicos: Heitor Villa-Lobos, Guiomar Novaes, Paulina d’Ambrósio, para citar os mais conhecidos.

A Semana de Arte Moderna aconteceu entre 11 e 18 de fevereiro de 1922, no Teatro Municipal, e o público, que era influenciado pelas formas estéticas europeias mais conservadoras, acabou reagindo mal a algumas apresentações.  Menotti del Picchia fez um discurso em que expunha os ideais da nova literatura, ilustrando-o com poemas e trechos em prosa que foram vaiados. Recebeu também muitas vaias o compositor e maestro Heitor Villa-Lobos, pois, devido a um calo, estava usando chinelos, o que foi interpretado por parte da plateia como uma manifestação futurista.

Nos meses seguintes à realização da Semana de Arte Moderna, os artistas modernistas investiram em formas de divulgação dos novos padrões estéticos, com o objetivo de fazer perdurar a ideia de renovação cultural. Entretanto, com o passar do tempo, as diferentes concepções estéticas e ideológicas dos participantes da Semana vieram à tona, provocando o surgimento de diversas correntes modernistas, muitas delas contraditórias entre si. Mas, usando as palavras de Alcântara Machado, a Semana de Arte Moderna havia conseguido produzir nos meios artísticos o “primeiro tranco”: interagir a literatura brasileira. O segundo seria fazer essa literatura sair do círculo restrito dos que “usavam colarinho” para o resto que, em matéria de estética, “nem camisa usava”.

A Semana de Arte Moderna integrou grandes personalidades da cultura na época e pode ser considerada importante marco do Modernismo brasileiro, ainda que, a princípio, as novas tendências artísticas nela apresentadas não tenham sido bem compreendidas.

Literatura Portuguesa

O Primo Basílio – Eça de Queirós

O Primo Basílio: uma crítica à burguesia portuguesa

Publicada em 1878, a obra O Primo Basílio tem como subtítulo Episódio da vida doméstica. Nela, Eça de Queirós volta o seu olhar crítico para o casamento como instituição representativa da hipocrisia burguesa. Bastante influenciado por Madame Bovary, de Gustave Flaubert, Eça tem em Emma Bovary o modelo para a construção de Luísa, personagem frágil e sonhadora.

No romance, acompanhamos a história de Luísa, jovem educada segundo os princípios românticos, que, estando casada com o engenheiro Jorge, deixa-se seduzir pelo primo, Basílio de Brito, que volta a Portugal durante uma viagem de Jorge. Chantageada pela criada Juliana, que intercepta cartas trocadas pelos amantes, Luísa vê seus sonhos de viver um romance desmoronarem. No final, a protagonista morre após uma longa enfermidade causada pelo sentimento de culpa por ter traído o marido.

Nessa obra, Eça de Queirós, que já criticara a província em O Crime do Padre Amaro, dirige sua crítica à burguesia lisboeta, com seus tipos característicos, seu pseudomoralismo, sua frustração familiar e o inevitável adultério.

O próprio autor afirma, em carta a Teófilo Braga, outro escritor do Realismo português: “A minha ambição seria pintar a sociedade portuguesa […] e mostrar-lhes, como num espelho, que triste país eles formam […]”

Língua Portuguesa

Como usar a crase antes de horas

1- Exemplos de quando usar:

a- A festa começa às 21h.

b- As lojas normalmente abrem às 9h.

c- O telefone tocou à 1h da madrugada.

d- Começa à 0h desta terça-feira a venda de ingressos para o show.

2- Exemplos de quando NÃO usar:

Não há crase depois das preposições: paraatéapósdesde e entre.

a- Antecipei minha consulta para as 14h.

b- Só vou esperar por você até as 15h.

c- Podemos nos encontrar após as 19h.

d- Estou te esperando desde as 11h.

e- Estarei no clube entre as 9h e as 11h.

3- Dica:

Substitua sempre qualquer hora por meio-dia. Só haverá crase se der ao meio-dia.

a- A festa começa às 21h. (A festa começa ao meio-dia.) Há crase.

b- Antecipei minha consulta para as 14h. (Antecipei minha consulta para ao meio-dia????) Não há crase.

4- Outros casos:

4.1- Não há crase quando a preposição de aparece sozinha, ainda que ela esteja implícita.

a- A minissérie será exibida de 3ª a 6ª. (sozinha)

b- Exibição da minissérie: 3ª a 6ª. (implícita)

4.2- Há crase quando a preposição de aparece combinada com artigo, ainda que ela esteja implícita.

a- A aula de dança será das 15h às 17h. (combinada: de+as)

b- Horário da aula de dança: 15h às 17h. (implícita)