Língua Portuguesa

Regência do verbo ASPIRAR

1- Aspirar é transitivo direto: no sentido de inalar, respirar.

Exemplos: Eu aspiro o ar da manhã. Ela aspirava o perfume das flores.

2- Aspirar é transitivo indireto: no sentido de desejar, objetivar.

Exemplos: Paulo aspira à Gerência. Todos aspiram aos mais altos cargos.

Literatura Brasileira

Soneto de Fidelidade – Vinícius de Moraes

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa lhe dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

(Vinícius de Moraes)

No poema, o conflito da experiência amorosa, que se deseja eterna mas que se sabe perecível, resolve-se através de um novo prisma: o que conta no amor não é sua duração no tempo, já que a “chama” se apaga, mas sua intensidade. Fidelidade torna-se, então, capacidade de entrega total ao ser amado e ao sentimento do amor, no momento “infinito” em que acontece.

Literatura Brasileira

Soneto do Maior Amor – Vinícius de Moraes

Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.

E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração, e que se agrada
Mais da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal-aventurada.

Louco amor meu, que quando toca, fere
E quando fere vibra, mas prefere
Ferir a fenecer – e vive a esmo

Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo.

(Vinícius de Moraes)

Literatura Brasileira

Soneto do Amor Total – Vinícius de Moraes

Amo-te tanto, meu amor… não cante
O humano coração com mais verdade…
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

(Vinícius de Moraes)