Literatura Brasileira

Seiscentos e Sessenta e Seis – Mário Quintana

A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas…
Quando se vê, já é 6ª-feira…
Quando se vê, passaram 60 anos…
Agora, é tarde demais para ser reprovado…
E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio.
Seguia sempre, sempre em frente…
E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.
(Mário Quintana)

Literatura Brasileira

Poeminho do Contra – Mário Quintana

Poeminho do Contra

Todos esses que aí estão

Atravancando o meu caminho,

Eles passarão…

Eu passarinho!

(Mário Quintana)

Literatura Brasileira

Canção do dia de sempre – Mário Quintana

Canção do dia de sempre

Tão bom viver dia a dia…
A vida assim, jamais cansa…

Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu…

E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência… esperança…

E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.

Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas…

(Mário Quintana)

Literatura Brasileira

Bilhete – Mário Quintana

Bilhete

Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda…

(Mário Quintana)