Literatura Brasileira

Teu nome – Vinícius de Moraes

Maria Lúcia Proença, conhecida como Lucinha Proença, foi a quarta esposa de Vinícius de Moraes. Ela foi a musa inspiradora do poema Teu nome. Lucinha e Vinícius se casaram em 1957, depois de oito meses de amor escondido, pois ambos eram casados. O casamento durou até 1963.

Teu nome

Teu nome, Maria Lúcia
Tem qualquer coisa que afaga
Como uma lua macia
Brilhando à flor de uma vaga.
Parece um mar que marulha
De manso sobre uma praia
Tem o palor que irradia
A estrela quando desmaia.
É um doce nome de filha
É um belo nome de amada
Lembra um pedaço de ilha
Surgindo de madrugada.
Tem um cheirinho de murta
E é suave como a pelúcia
É acorde que nunca finda
É coisa por demais linda
Teu nome, Maria Lúcia…

(Vinícius de Moraes)

Em todo o poema, o nome Maria Lúcia sugere imagens relacionadas a impressões sensoriais (visão, audição, olfato, paladar, tato).

Visão – É coisa por demais linda

Audição – É acorde que nunca finda

Olfato – Tem um cheirinho de murta

Paladar – É um doce nome de filha

Tato – E é suave como a pelúcia

Literatura Brasileira

João Cabral de Melo Neto

João Cabral de Melo Neto (1920-1999) foi um grande nome da poesia modernista da Geração de 45. Seu legado pode ser dividido em três partes: ele desmitificou a poesia como fruto da inspiração e do sentimento, fazendo versos secos, severamente controlados em seus efeitos; retratou o cenário inóspito do Nordeste brasileiro, provando que a dureza de sua poesia não era apenas uma questão de gosto; e criou uma poesia “participativa”, que buscava a comunicação com o público, daí ter aproximado o verso da narrativa.

Morte e Vida Severina, seu texto mais conhecido, é um Auto (peça de origem medieval e popular), no caso, um Auto de Natal, que revela duas características da obra do autor: o rigor formal e o engajamento social. O rigor se estabelece com a métrica, a rima e o ritmo marcados do poema. O engajamento social manifesta-se na denúncia da vida sofrida do sertanejo pobre. O poema acompanha a saga de Severino, personagem-símbolo de uma população marginalizada e faminta, no caminho até a cidade. Severino encontrará cenas de miséria pelo caminho, mas terminará sua trajetória diante de um nascimento, como uma ponta de esperança na justiça da vida.

ABERTURA

FUNERAL DE UM LAVRADOR

PARTE FINAL

Literatura Brasileira

Semana de Arte Moderna

A Semana de Arte Moderna: conflito entre a tradição e a vanguarda

O período de transformações culturais que culminou com a realização da Semana de Arte Moderna começou a se delinear bem antes de 1922. Em 1917, o cenário cultural agitou-se com a realização de uma exposição de quadros da pintora Anita Malfatti.

Presente à exposição, o escritor Monteiro Lobato publicou, no dia 20 de dezembro, um polêmico artigo – A propósito da exposição Malfatti – no jornal O Estado de S. Paulo, em que criticava o estilo vanguardista da pintora. Paranoia ou Mistificação? acabou por se transformar no título desse artigo, quando foi publicado em livro. Lobato questionava, em seu texto, se o que os jovens artistas chamavam de “arte” não seria, na verdade, o resultado de brincadeiras juvenis ou de mentes paranoicas. Ele fazia também referências aos estudos de Anita Malfatti nos Estados Unidos (“americanos malucos”) e a Oswald de Andrade (“poetas elegantes, apesar de gordos”). O prestígio de Lobato e o poder corrosivo de suas palavras tiveram repercussão: algumas telas que já tinham sido vendidas foram devolvidas e a pintora passou por uma crise de criação.

Um grupo de modernistas, formado por escritores, músicos e artistas plásticos decide, em razão do ocorrido, unir-se na tentativa de tornar mais visíveis para a opinião pública as novas tendências artísticas trazidas da Europa. Surge, então, a ideia de realizar um festival para expor a arte moderna: num mesmo lugar, estariam reunidas telas e esculturas, seriam realizados recitais de música e poesia, espetáculos de dança e palestras.

O ano de 1922 era oportuno porque podia ser visto como um marco da modernização do Brasil, que, ao completar cem anos de independência, passava por um surto de desenvolvimento urbano e industrial. A ideia de que a essa modernização deveria corresponder uma renovação cultural passava pela cabeça de muitos filhos de fazendeiros e industriais que haviam estudado na Europa. Foi assim que o grupo de jovens modernistas acabou encontrando patrocínio para a realização da Semana de Arte Moderna em fevereiro de 1922.

Coube a Menotti del Picchia anunciar o evento, sob o pseudônimo de Hélios, em sua coluna no Correio Paulistano. Com a finalidade de atrair para o evento a elite social paulistana, a Semana de Arte Moderna foi apresentada como uma festa mundana, que poderia ser comparada ao baile dos Campos Elísios, o mais importante acontecimento social da época.

Do grupo de modernistas que idealizou a programação e atuou nos eventos, estavam os escritores: Graça Aranha, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Menotti del Picchia, Ronald de Carvalho, Guilherme de Almeida, Sérgio Milliet; os artistas plásticos: Anita Malfatti, Vicente do Rego Monteiro, Di Cavalcanti, Victor Brecheret; e os músicos: Heitor Villa-Lobos, Guiomar Novaes, Paulina d’Ambrósio, para citar os mais conhecidos.

A Semana de Arte Moderna aconteceu entre 11 e 18 de fevereiro de 1922, no Teatro Municipal, e o público, que era influenciado pelas formas estéticas europeias mais conservadoras, acabou reagindo mal a algumas apresentações.  Menotti del Picchia fez um discurso em que expunha os ideais da nova literatura, ilustrando-o com poemas e trechos em prosa que foram vaiados. Recebeu também muitas vaias o compositor e maestro Heitor Villa-Lobos, pois, devido a um calo, estava usando chinelos, o que foi interpretado por parte da plateia como uma manifestação futurista.

Nos meses seguintes à realização da Semana de Arte Moderna, os artistas modernistas investiram em formas de divulgação dos novos padrões estéticos, com o objetivo de fazer perdurar a ideia de renovação cultural. Entretanto, com o passar do tempo, as diferentes concepções estéticas e ideológicas dos participantes da Semana vieram à tona, provocando o surgimento de diversas correntes modernistas, muitas delas contraditórias entre si. Mas, usando as palavras de Alcântara Machado, a Semana de Arte Moderna havia conseguido produzir nos meios artísticos o “primeiro tranco”: interagir a literatura brasileira. O segundo seria fazer essa literatura sair do círculo restrito dos que “usavam colarinho” para o resto que, em matéria de estética, “nem camisa usava”.

A Semana de Arte Moderna integrou grandes personalidades da cultura na época e pode ser considerada importante marco do Modernismo brasileiro, ainda que, a princípio, as novas tendências artísticas nela apresentadas não tenham sido bem compreendidas.

Literatura Brasileira · Literatura Portuguesa

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Sugestão de Leitura – Literatura Brasileira e Literatura Portuguesa

Poemas de Fernando Pessoa – Fernando Pessoa

Dom Casmurro – Machado de Assis

Cancioneiro – Fernando Pessoa

A Cartomante – Machado de Assis

Mensagem – Fernando Pessoa

A Carteira – Machado de Assis

O Eu profundo e os outros Eus – Fernando Pessoa

Dom Casmurro – Machado de Assis

Do Livro do Desassossego – Fernando Pessoa

Poesias Inéditas – Fernando Pessoa

A Igreja do Diabo – Machado de Assis

Este mundo da injustiça globalizada – José Saramago

O pastor amoroso – Fernando Pessoa

A Cidade e as Serras – José Maria Eça de Queirós

Livro do Desassossego – Fernando Pessoa

A Carta de Pero Vaz de Caminha – Pero Vaz de Caminha

O Guardador de Rebanhos – Fernando Pessoa

Memórias Póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis

A Mão e a Luva – Machado de Assis

Os Lusíadas – Luís Vaz de Camões

A Cartomante – Machado de Assis

A Causa Secreta – Machado de Assis

Poemas Traduzidos – Fernando Pessoa

Auto da Barca do Inferno – Gil Vicente

Poemas de Álvaro de Campos – Fernando Pessoa

Cancioneiro – Fernando Pessoa

A Ela – Machado de Assis

O Banqueiro Anarquista – Fernando Pessoa

Dom Casmurro – Machado de Assis

Poemas de Álvaro de Campos – Fernando Pessoa

Adão e Eva – Machado de Assis

A Moreninha – Joaquim Manuel de Macedo

A Chinela Turca – Machado de Assis

Poemas Selecionados – Florbela Espanca

As Vítimas-Algozes – Joaquim Manuel de Macedo

Iracema – José de Alencar

A Mão e a Luva – Machado de Assis

O Alienista – Machado de Assis

Poemas Inconjuntos – Fernando Pessoa

A Carteira – Machado de Assis

Primeiro Fausto – Fernando Pessoa

Senhora – José de Alencar

A Escrava Isaura – Bernardo Guimarães

Memórias Póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis

A Mensageira das Violetas – Florbela Espanca

Sonetos – Luís Vaz de Camões

Eu e Outras Poesias – Augusto dos Anjos

Iracema – José de Alencar

Poemas de Ricardo Reis – Fernando Pessoa

Os Maias – José Maria Eça de Queirós

O Guarani – José de Alencar

A Mulher de Preto – Machado de Assis

A Pianista – Machado de Assis

Poemas em Inglês – Fernando Pessoa

A Igreja do Diabo – Machado de Assis

A Herança – Machado de Assis

A chave – Machado de Assis

Eu – Augusto dos Anjos

As Primaveras – Casimiro de Abreu

A Desejada das Gentes – Machado de Assis

Poemas de Ricardo Reis – Fernando Pessoa

Quincas Borba – Machado de Assis

A Segunda Vida – Machado de Assis

Os Sertões – Euclides da Cunha

Poemas de Álvaro de Campos – Fernando Pessoa

O Alienista – Machado de Assis

A Alma do Lázaro – José de Alencar

A Vida Eterna – Machado de Assis

A Causa Secreta – Machado de Assis

14 de Julho na Roça – Raul Pompéia

O Crime do Padre Amaro – José Maria Eça de Queirós

Astúcias de Marido – Machado de Assis

Auto da Barca do Inferno – Gil Vicente

Noite na Taverna – Manuel Antônio Álvares de Azevedo

Memórias Póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis

A ‘Não-me-toques’ ! – Artur Azevedo

Os Maias – José Maria Eça de Queirós

Obras Seletas – Rui Barbosa

A Mão e a Luva – Machado de Assis

Amor de Perdição – Camilo Castelo Branco

Aurora sem Dia – Machado de Assis

O Abolicionismo – Joaquim Nabuco

Pai Contra Mãe – Machado de Assis

O Cortiço – Aluísio de Azevedo

Adão e Eva – Machado de Assis

Os Sertões – Euclides da Cunha

Esaú e Jacó – Machado de Assis

Antes que Cases – Machado de Assis

A melhor das noivas – Machado de Assis

Livro de Mágoas – Florbela Espanca

O Cortiço – Aluísio de Azevedo

A Relíquia – José Maria Eça de Queirós

Helena – Machado de Assis

Contos – José Maria Eça de Queirós

A Sereníssima República – Machado de Assis

Amor de Perdição – Camilo Castelo Branco

A Brasileira de Prazins – Camilo Castelo Branco

Sonetos e Outros Poemas – Manuel Maria de Barbosa du Bocage

Anedota Pecuniária – Machado de Assis

O Primo Basílio – José Maria Eça de Queirós

A Semana – Machado de Assis

A viúva Sobral – Machado de Assis

O Navio Negreiro – Castro Alves

Papéis Avulsos – Machado de Assis

Eterna Mágoa – Augusto dos Anjos

Cartas D’Amor – José Maria Eça de Queirós

O Crime do Padre Amaro – José Maria Eça de Queirós

Anedota do Cabriolet – Machado de Assis

Canção do Exílio – Antônio Gonçalves Dias