Literatura Portuguesa

Fanatismo – Florbela Espanca

Florbela Espanca (1894 – 1930), batizada com o nome de Flor Bela de Alma da Conceição, foi uma poetisa portuguesa. A sua vida de trinta e seis anos foi cheia de sofrimentos íntimos que a autora soube transformar em poesia da mais alta qualidade.

Florbela não se ligou claramente a um movimento literário. Alheia ao Modernismo, seguiu a linha do poeta Antônio Nobre. A técnica do soneto, que a celebrizou, teve influência de Antero de Quental e, mais longinquamente, de Camões. Florbela Espanca foi uma mulher à frente de seu tempo e uma grande figura feminina das primeiras décadas da Literatura Portuguesa do século XX.

 

Fanatismo

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida

Meus olhos andam cegos de te ver!

Não és sequer razão de meu viver,

Pois que tu és já toda a minha vida!

 

Não vejo nada assim enlouquecida…

Passo no mundo, meu Amor, a ler

No misterioso livro do teu ser

A mesma história tantas vezes lida!

 

“Tudo no mundo é frágil, tudo passa…”

Quando me dizem isto, toda a graça

Duma boca divina fala em mim!

 

E, olhos postos em ti, vivo de rastros:

“Ah! Podem voar mundos, morrer astros,

Que tu és como Deus: princípio e fim!…”

(Florbela Espanca)

Literatura Brasileira

Teu nome – Vinícius de Moraes

Maria Lúcia Proença, conhecida como Lucinha Proença, foi a quarta esposa de Vinícius de Moraes. Ela foi a musa inspiradora do poema Teu nome. Lucinha e Vinícius se casaram em 1957, depois de oito meses de amor escondido, pois ambos eram casados. O casamento durou até 1963.

Teu nome

Teu nome, Maria Lúcia
Tem qualquer coisa que afaga
Como uma lua macia
Brilhando à flor de uma vaga.
Parece um mar que marulha
De manso sobre uma praia
Tem o palor que irradia
A estrela quando desmaia.
É um doce nome de filha
É um belo nome de amada
Lembra um pedaço de ilha
Surgindo de madrugada.
Tem um cheirinho de murta
E é suave como a pelúcia
É acorde que nunca finda
É coisa por demais linda
Teu nome, Maria Lúcia…

(Vinícius de Moraes)

Em todo o poema, o nome Maria Lúcia sugere imagens relacionadas a impressões sensoriais (visão, audição, olfato, paladar, tato).

Visão – É coisa por demais linda

Audição – É acorde que nunca finda

Olfato – Tem um cheirinho de murta

Paladar – É um doce nome de filha

Tato – E é suave como a pelúcia

Literatura Portuguesa

Romantismo em Portugal

Principais autores do Romantismo em Portugal

PRIMEIRA GERAÇÃO: composta por autores que abordaram temas ligados à cultura e à história portuguesas.

Almeida Garret (1799-1854): pioneiro do Romantismo português, privilegiou a cultura de seu país. É autor do poema Camões (1825), marco inaugural do Romantismo em Portugal. Escreveu Viagens na Minha Terra (1846), romance de viagem pelo interior de Portugal; Folhas Caídas (1853) e Flores sem Fruto (1844), que reúnem os melhores poemas do autor.

Alexandre Herculano (1810-1877): historiador, ambientou romances e contos na Idade Média. É autor de Eurico, o Presbítero (1844), romance sobre o celibato clerical.

SEGUNDA GERAÇÃO: caracteriza-se pelo aprofundamento das propostas românticas, como a liberdade da imaginação, a visão egocêntrica do mundo, a melancolia e a obsessão com a morte. O período ficou conhecido como Ultrarromantismo, que também influenciou os autores brasileiros.

Camilo Castelo Branco: em cerca de 100 obras, destacando-se a prosa, narra histórias de paixão e tragédia. Amor de Perdição conta a história de Simão e Teresa, jovens apaixonados de famílias inimigas. Em Amor de Salvação, um rico herdeiro, traído e infeliz, “salva-se” ao perceber o amor de uma prima.

TERCEIRA GERAÇÃO: Afastou-se dos excessos do Ultrarromantismo, moderando a dramaticidade das situações e sentimentos.

Julio Dinis: compõe retratos idealizados das famílias portuguesas. É autor de As Pupilas do Senhor Reitor. Nesse romance, lançado em formato de folhetim, em 1863, Margarida e Clara vivem conflitos amorosos.

Literatura Brasileira

João Cabral de Melo Neto

João Cabral de Melo Neto (1920-1999) foi um grande nome da poesia modernista da Geração de 45. Seu legado pode ser dividido em três partes: ele desmitificou a poesia como fruto da inspiração e do sentimento, fazendo versos secos, severamente controlados em seus efeitos; retratou o cenário inóspito do Nordeste brasileiro, provando que a dureza de sua poesia não era apenas uma questão de gosto; e criou uma poesia “participativa”, que buscava a comunicação com o público, daí ter aproximado o verso da narrativa.

Morte e Vida Severina, seu texto mais conhecido, é um Auto (peça de origem medieval e popular), no caso, um Auto de Natal, que revela duas características da obra do autor: o rigor formal e o engajamento social. O rigor se estabelece com a métrica, a rima e o ritmo marcados do poema. O engajamento social manifesta-se na denúncia da vida sofrida do sertanejo pobre. O poema acompanha a saga de Severino, personagem-símbolo de uma população marginalizada e faminta, no caminho até a cidade. Severino encontrará cenas de miséria pelo caminho, mas terminará sua trajetória diante de um nascimento, como uma ponta de esperança na justiça da vida.

ABERTURA

FUNERAL DE UM LAVRADOR

PARTE FINAL