Língua Portuguesa

Variações Linguísticas

Variação Histórica

Acontece ao longo de um determinado período de tempo. O processo de mudança é gradual: uma variante inicialmente utilizada por um grupo restrito de falantes passa a ser adotada por indivíduos de um grupo socioeconomicamente mais expressivo. A forma antiga permanece ainda entre as gerações mais velhas, período em que as duas variantes convivem. Porém, com o tempo, a nova variante torna-se normal na fala e, finalmente, consagra-se pelo uso na modalidade escrita. As mudanças podem ser de grafia e de significado.

Variação Geográfica

Trata das diferentes formas de pronúncia, vocabulário e estrutura sintática entre regiões. Dentro de uma comunidade mais ampla, formam-se comunidades linguísticas menores em torno de centros polarizadores de cultura, política e economia, que acabam por definir os padrões linguísticos utilizados na região de sua influência.

Variação Social

Agrupa alguns fatores de diversidade: o nível socioeconômico, determinado pelo meio social onde vive um indivíduo; o grau de educação; a idade e o sexo. A variação social não compromete a compreensão entre indivíduos, como poderia acontecer na variação regional; o uso de certas variantes pode indicar qual o nível socioeconômico de uma pessoa, e há a possibilidade de alguém oriundo de um grupo menos favorecido atingir o padrão de maior prestígio.

Variação Estilística

Considera um mesmo indivíduo em diferentes circunstâncias de comunicação: se está em um ambiente familiar ou profissional, o grau de intimidade, o tipo de assunto tratado e quem são os receptores. Sem levar em conta as graduações intermediárias, é possível identificar dois limites de estilo: o informal, quando há um mínimo de reflexão do indivíduo sobre as normas linguísticas, utilizado nas conversações do cotidiano; e o formal, em que o grau de reflexão é máximo, utilizado em conversações que não são do dia a dia e cujo conteúdo é mais elaborado. Não se deve confundir o estilo formal e informal com língua escrita e falada, pois os dois estilos ocorrem em ambas as formas de comunicação.

Referência Bibliográfica:

CAMACHO, R. A variação linguística. In: Subsídios à proposta curricular de Língua Portuguesa para o 1º e 2º graus. Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, 1988, p. 29-41.

Língua Portuguesa

Comunicação: uma via de mão dupla

O sucesso da comunicação depende da cumplicidade entre o produtor e o receptor de um texto, pois o seu sentido não é construído apenas pelo produtor, mas também por quem o recebe. Para que a comunicação seja eficiente, é necessário que o texto esteja bem organizado do ponto de vista dos critérios de textualidade.

Critérios de textualidade:

1) Intencionalidade: refere-se ao empenho do produtor do texto em construir uma mensagem coerente, coesa e capaz de satisfazer a sua meta comunicativa, que pode ser convencer, impressionar e informar.

2) Aceitabilidade: trata das expectativas do leitor e sua aceitação da proposta comunicativa feita pelo produtor. A partir de seu horizonte de expectativas, o leitor pode ou não “aceitar” a comunicação que lhe é proposta.

3) Informatividade: baseia-se na relação entre informações novas e informações já apresentadas.

4) Situcionalidade: está ligada à importância do contexto para que o leitor entenda a mensagem.

5) Intertextualidade: implica o entendimento da relação que um texto pode estabelecer com outros, impactando na compreensão de determinada mensagem. Dessa forma, um texto torna-se o contexto de outro texto, e seu entendimento depende de um conhecimento compartilhado entre o produtor (falante/escritor) e o receptor (ouvinte/leitor).

Língua Portuguesa

Perca ou Perda?

Perca é uma forma verbal.

Ex.: Tomara que ele não perca a cabeça. (Verbo perder)

 

Perda é um substantivo.

Ex.: Ela sofreu uma grande perda. (Substantivo)

Língua Portuguesa

Mas, Mais ou Más?

Mas –  é uma conjunção adversativa que transmite a ideia de oposição. A vírgula antecede obrigatoriamente uma conjunção adversativa.

Exemplo: Gostei do carro, mas não posso pagar por ele.

 

Outros exemplos de conjunções adversativas: porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, senão, não obstante, apesar disso, ao passo que, em todo caso.

Chegou atrasado, porém conseguiu fazer a prova.

Conseguiu reaver o carro, contudo ele estava danificado.

Lancharam, todavia sentiam vontade de comer mais.

O vestido lhe coube, entretanto deixou a compra para o final do mês.

Todos podem consultar o caderno, no entanto a prova é individual.

Cheguem cedo, senão o jantar acaba.

Nada foi feito, não obstante todos os pedidos.

Ganhava um bom salário, apesar disso não estava feliz.

Esta rua é bem iluminada, ao passo que aquela é quase sem iluminação.

Ele não era estudioso, em todo caso estudava um pouco antes das provas.

 

Mais – é um advérbio de intensidade que transmite a ideia de quantidade, soma ou comparação.

Exemplos: Quanto mais ele possuía, mais ele queria. Ela sempre foi a mais inteligente da classe.

 

Más – é o plural de .

Exemplo: Infelizmente, eu conheci muitas pessoas más.

 

ATENÇÃO:

O “E“, conjunção aditiva, pode eventualmente exercer a função de conjunção adversativa, quando expressa uma relação de oposição ou contraste entre as orações. Essa é uma pegadinha recorrente em concursos públicos.

Exemplo: Ela queria sair, e estava chovendo. (Ela queria sair, mas estava chovendo.)