Literatura Brasileira

Poeminho do Contra – Mário Quintana

Poeminho do Contra

Todos esses que aí estão

Atravancando o meu caminho,

Eles passarão…

Eu passarinho!

(Mário Quintana)

Literatura Brasileira

Canção do dia de sempre – Mário Quintana

Canção do dia de sempre

Tão bom viver dia a dia…
A vida assim, jamais cansa…

Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu…

E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência… esperança…

E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.

Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas…

(Mário Quintana)

Literatura Brasileira

Bilhete – Mário Quintana

Bilhete

Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda…

(Mário Quintana)

Literatura Brasileira

Poema dos olhos da amada – Vinícius de Moraes

Poema dos olhos da amada

Ó minha amada
Que os olhos teus
São cais noturnos
Cheios de adeus
São docas mansas
Trilhando luzes
Que brilham longe
Longe nos breus…

Ó minha amada
Que olhos os teus
Quanto mistério
Nos olhos teus
Quantos saveiros
Quantos navios
Quantos naufrágios
Nos olhos teus…

Ó minha amada
Que olhos os teus
Se Deus houvera
Fizera-os Deus
Pois não os fizera
Quem não soubera
Que há muitas eras
Nos olhos teus.

Ah, minha amada
De olhos ateus
Cria a esperança
Nos olhos meus
De verem um dia
O olhar mendigo
Da poesia
Nos olhos teus.

No poema, o eu lírico faz uma descrição subjetiva dos olhos da mulher amada. A descrição subjetiva reflete o estado de espírito do eu lírico, seu modo de ver o mundo, suas preferências, seu estado emocional.