Literatura Brasileira

Se Eu Morresse Amanhã! – Álvares de Azevedo

Se Eu Morresse Amanhã!

Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria,
Se eu morresse amanhã!

Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas,
Se eu morresse amanhã!

Que sol! que céu azul! que doce n’alva
Acorda a natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito,
Se eu morresse amanhã!

Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã…
A dor no peito emudecera ao menos,
Se eu morresse amanhã!

 Em 1852, aos 20 anos de idade, Álvares de Azevedo morreu vítima de complicações devido a um acidente (queda de cavalo). Ele foi o principal representante brasileiro do mal-do-século e toda a sua obra foi escrita em apenas quatro anos. Os temas mais comuns de sua poesia são o amor e a morte. O amor é sempre idealizado e a morte tem o significado de fuga, de libertação. Toda a obra de Álvares de Azevedo foi publicada postumamente.

Literatura Brasileira

Eu, Etiqueta – Carlos Drummond de Andrade

No poema, Drummond transmite a mensagem de que perdemos a nossa identidade, e que nos tornamos uma vitrine de produtos a serviço da sociedade de consumo.

Literatura Brasileira

Poema Enjoadinho – Vinícius de Moraes

Poema Enjoadinho, de Vinícius de Moraes, recitado por Paulo Autran, em 1990. No início e no final do poema, ouvimos a voz do próprio Vinícius.

Poema Enjoadinho

Filhos… Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Se não os temos
Que de consulta
Quanto silêncio
Como os queremos!
Banho de mar
Diz que é um porrete…
Cônjuge voa
Transpõe o espaço
Engole água
Fica salgada
Se iodifica
Depois, que boa
Que morenaço
Que a esposa fica!
Resultado: filho.
E então começa
A aporrinhação:
Cocô está branco
Cocô está preto
Bebe amoníaco
Comeu botão.
Filhos? Filhos
Melhor não tê-los
Noites de insônia
Cãs prematuras
Prantos convulsos
Meu Deus, salvai-o!
Filhos são o demo
Melhor não tê-los…
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos
Que cheiro morno
Na sua carne
Que gosto doce
Na sua boca!
Chupam gilete
Bebem xampu
Ateiam fogo
No quarteirão
Porém, que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!

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Retrato – Cecília Meireles

Retrato
Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
— Em que espelho ficou perdida
a minha face?

No poema, Cecília Meireles aborda o tema da transitoriedade da vida. Espelho é uma metáfora para lugar, momento; e face é uma metáfora para vida, juventude.