Literatura Portuguesa

Não sei quantas almas tenho – Fernando Pessoa

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: “Fui eu?”
Deus sabe, porque o escreveu.

(Fernando Pessoa)

Literatura Portuguesa

Todas as cartas de amor… – Fernando Pessoa

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

(Fernando Pessoa)

Literatura Portuguesa

O cego e a guitarra – Fernando Pessoa

O ruído vário da rua
Passa alto por mim que sigo.
Vejo: cada coisa é sua
Oiço: cada som é consigo.

Sou como a praia a que invade
Um mar que torna a descer.
Ah, nisto tudo a verdade
É só eu ter que morrer.

Depois de eu cessar, o ruído.
Não, não ajusto nada
Ao meu conceito perdido
Como uma flor na estrada.

Cheguei à janela
Porque ouvi cantar.
É um cego e a guitarra
Que estão a chorar.

Ambos fazem pena,
São uma coisa só
Que anda pelo mundo
A fazer ter dó.

Eu também sou um cego
Cantando na estrada,
A estrada é maior
E não peço nada.

(Fernando Pessoa)

Literatura Brasileira · Literatura Portuguesa

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Sugestão de Leitura – Literatura Brasileira e Literatura Portuguesa

Poemas de Fernando Pessoa – Fernando Pessoa

Dom Casmurro – Machado de Assis

Cancioneiro – Fernando Pessoa

A Cartomante – Machado de Assis

Mensagem – Fernando Pessoa

A Carteira – Machado de Assis

O Eu profundo e os outros Eus – Fernando Pessoa

Dom Casmurro – Machado de Assis

Do Livro do Desassossego – Fernando Pessoa

Poesias Inéditas – Fernando Pessoa

A Igreja do Diabo – Machado de Assis

Este mundo da injustiça globalizada – José Saramago

O pastor amoroso – Fernando Pessoa

A Cidade e as Serras – José Maria Eça de Queirós

Livro do Desassossego – Fernando Pessoa

A Carta de Pero Vaz de Caminha – Pero Vaz de Caminha

O Guardador de Rebanhos – Fernando Pessoa

Memórias Póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis

A Mão e a Luva – Machado de Assis

Os Lusíadas – Luís Vaz de Camões

A Cartomante – Machado de Assis

A Causa Secreta – Machado de Assis

Poemas Traduzidos – Fernando Pessoa

Auto da Barca do Inferno – Gil Vicente

Poemas de Álvaro de Campos – Fernando Pessoa

Cancioneiro – Fernando Pessoa

A Ela – Machado de Assis

O Banqueiro Anarquista – Fernando Pessoa

Dom Casmurro – Machado de Assis

Poemas de Álvaro de Campos – Fernando Pessoa

Adão e Eva – Machado de Assis

A Moreninha – Joaquim Manuel de Macedo

A Chinela Turca – Machado de Assis

Poemas Selecionados – Florbela Espanca

As Vítimas-Algozes – Joaquim Manuel de Macedo

Iracema – José de Alencar

A Mão e a Luva – Machado de Assis

O Alienista – Machado de Assis

Poemas Inconjuntos – Fernando Pessoa

A Carteira – Machado de Assis

Primeiro Fausto – Fernando Pessoa

Senhora – José de Alencar

A Escrava Isaura – Bernardo Guimarães

Memórias Póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis

A Mensageira das Violetas – Florbela Espanca

Sonetos – Luís Vaz de Camões

Eu e Outras Poesias – Augusto dos Anjos

Iracema – José de Alencar

Poemas de Ricardo Reis – Fernando Pessoa

Os Maias – José Maria Eça de Queirós

O Guarani – José de Alencar

A Mulher de Preto – Machado de Assis

A Pianista – Machado de Assis

Poemas em Inglês – Fernando Pessoa

A Igreja do Diabo – Machado de Assis

A Herança – Machado de Assis

A chave – Machado de Assis

Eu – Augusto dos Anjos

As Primaveras – Casimiro de Abreu

A Desejada das Gentes – Machado de Assis

Poemas de Ricardo Reis – Fernando Pessoa

Quincas Borba – Machado de Assis

A Segunda Vida – Machado de Assis

Os Sertões – Euclides da Cunha

Poemas de Álvaro de Campos – Fernando Pessoa

O Alienista – Machado de Assis

A Alma do Lázaro – José de Alencar

A Vida Eterna – Machado de Assis

A Causa Secreta – Machado de Assis

14 de Julho na Roça – Raul Pompéia

O Crime do Padre Amaro – José Maria Eça de Queirós

Astúcias de Marido – Machado de Assis

Auto da Barca do Inferno – Gil Vicente

Noite na Taverna – Manuel Antônio Álvares de Azevedo

Memórias Póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis

A ‘Não-me-toques’ ! – Artur Azevedo

Os Maias – José Maria Eça de Queirós

Obras Seletas – Rui Barbosa

A Mão e a Luva – Machado de Assis

Amor de Perdição – Camilo Castelo Branco

Aurora sem Dia – Machado de Assis

O Abolicionismo – Joaquim Nabuco

Pai Contra Mãe – Machado de Assis

O Cortiço – Aluísio de Azevedo

Adão e Eva – Machado de Assis

Os Sertões – Euclides da Cunha

Esaú e Jacó – Machado de Assis

Antes que Cases – Machado de Assis

A melhor das noivas – Machado de Assis

Livro de Mágoas – Florbela Espanca

O Cortiço – Aluísio de Azevedo

A Relíquia – José Maria Eça de Queirós

Helena – Machado de Assis

Contos – José Maria Eça de Queirós

A Sereníssima República – Machado de Assis

Amor de Perdição – Camilo Castelo Branco

A Brasileira de Prazins – Camilo Castelo Branco

Sonetos e Outros Poemas – Manuel Maria de Barbosa du Bocage

Anedota Pecuniária – Machado de Assis

O Primo Basílio – José Maria Eça de Queirós

A Semana – Machado de Assis

A viúva Sobral – Machado de Assis

O Navio Negreiro – Castro Alves

Papéis Avulsos – Machado de Assis

Eterna Mágoa – Augusto dos Anjos

Cartas D’Amor – José Maria Eça de Queirós

O Crime do Padre Amaro – José Maria Eça de Queirós

Anedota do Cabriolet – Machado de Assis

Canção do Exílio – Antônio Gonçalves Dias