Literatura Brasileira

Silêncio Amoroso 2 – Affonso Romano de Sant’Anna

Silêncio Amoroso 2

Preciso do teu silêncio
cúmplice
sobre minhas falhas.
Não fale.
Um sopro, a menor vogal
pode me desamparar.
E se eu abrir a boca
minha alma vai rachar.

O silêncio, aprendo,
pode construir. É um modo
denso/tenso
– de coexistir.
Calar, às vezes,
é fina forma de amar.

(Affonso Romano de Sant’Anna)

Literatura Brasileira

Silêncio Amoroso 1 – Affonso Romano de Sant’Anna

Silêncio Amoroso 1

Deixa que eu te ame em silêncio.
Não pergunte, não se explique,
deixe que nossas línguas se toquem,
e as bocas e a pele falem seus líquidos desejos.

Deixa que eu te ame sem palavras
a não ser aquelas que na lembrança ficarão
pulsando para sempre
como se amor e vida
fossem um discurso
de impronunciáveis emoções.

(Affonso Romano de Sant’Anna)

Literatura Brasileira

Indecisão Amorosa – Affonso Romano de Sant’Anna

Indecisão Amorosa

Então me digo:
“Não vou mais vê-la”
e no dia seguinte
quero tê-la.

Então me digo:
“É a última vez”
e me resigno.
Mas quando anoitece
sou eu quem ligo.

“Começo a esquecê-la”,
me repito.
E numa esquina
invento vê-la.

De novo afirmo:
“Melhor parar”
e aí começo
a desesperar.

O tempo todo
a estou deixando
e mais a deixo
partido
ao seu amor regresso
e partindo
vou ficando.

(Affonso Romano de Sant’Anna)

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Reflexivo – Affonso Romano de Sant’Anna

Reflexivo

O que não escrevi, calou-me.
O que não fiz, partiu-me.
O que não senti, doeu-se.
O que não vivi, morreu-se.
O que adiei, adeus-se.

(Affonso Romano de Sant’Anna)