Literatura Brasileira

O tempo do amor é irrecuperável (Vinícius de Moraes)

No final da década de 1950, Vinícius de Moraes era funcionário da embaixada brasileira em Montevidéu e estava novamente apaixonado, dessa vez por Lucinha Proença, provavelmente o grande amor de sua vida. Vinícius, com um ofício, pede transferência para o Rio de Janeiro, onde Lucinha vivia, fazendo uso destes argumentos: “Preciso de fato voltar ao Rio. Não é um problema material, de dinheiro, ou de status profissional. Tudo isso é recuperável. É um problema de amor, pois o tempo do amor é que é irrecuperável.”

CEREJA, William Roberto; MAGALHÃES, Thereza Cochar. Português: Linguagens. 3. ed. São Paulo: Atual, 1999. P. 294.

Veja no blog:

Teu nome – Vinícius de Moraes  –  (Poema de Vinícius para Lucinha)

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Teu nome – Vinícius de Moraes

Maria Lúcia Proença, conhecida como Lucinha Proença, foi a quarta esposa de Vinícius de Moraes. Ela foi a musa inspiradora do poema Teu nome. Lucinha e Vinícius se casaram em 1957, depois de oito meses de amor escondido, pois ambos eram casados. O casamento durou até 1963.

Teu nome

Teu nome, Maria Lúcia
Tem qualquer coisa que afaga
Como uma lua macia
Brilhando à flor de uma vaga.
Parece um mar que marulha
De manso sobre uma praia
Tem o palor que irradia
A estrela quando desmaia.
É um doce nome de filha
É um belo nome de amada
Lembra um pedaço de ilha
Surgindo de madrugada.
Tem um cheirinho de murta
E é suave como a pelúcia
É acorde que nunca finda
É coisa por demais linda
Teu nome, Maria Lúcia…

(Vinícius de Moraes)

Em todo o poema, o nome Maria Lúcia sugere imagens relacionadas a impressões sensoriais (visão, audição, olfato, paladar, tato).

Visão – É coisa por demais linda

Audição – É acorde que nunca finda

Olfato – Tem um cheirinho de murta

Paladar – É um doce nome de filha

Tato – E é suave como a pelúcia

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Soneto de Fidelidade – Vinícius de Moraes

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa lhe dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

(Vinícius de Moraes)

No poema, o conflito da experiência amorosa, que se deseja eterna mas que se sabe perecível, resolve-se através de um novo prisma: o que conta no amor não é sua duração no tempo, já que a “chama” se apaga, mas sua intensidade. Fidelidade torna-se, então, capacidade de entrega total ao ser amado e ao sentimento do amor, no momento “infinito” em que acontece.

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Soneto do Maior Amor – Vinícius de Moraes

Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.

E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração, e que se agrada
Mais da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal-aventurada.

Louco amor meu, que quando toca, fere
E quando fere vibra, mas prefere
Ferir a fenecer – e vive a esmo

Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo.

(Vinícius de Moraes)