Língua Portuguesa

Acento diferencial

ACENTO DIFERENCIAL:

Antes da Reforma Ortográfica: pára, pêlo, péla, pólo, pêra.

Depois da Reforma Ortográfica: para, pelo, pela, polo, pera.

OBSERVAÇÕES:

1- Não some o acento diferencial em:

pôr(verbo) / por (preposição)

pôde (pretérito) / pode (presente)

2- Fôrma, para diferenciar de forma, segundo alguns gramáticos, pode receber acento circunflexo. No entanto, o VOLP (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa) registra o vocábulo sem acentuação.

Língua Portuguesa

Termos que causam redundância

Há três meses atrás.

  e  atrás  indicam passado, não use os dois juntos:

Ela viajou há três meses.

Ela viajou três meses atrás.

Já não há mais motivo.

Já  e  mais  têm a mesma função na frase, não use os dois juntos:

Não há mais motivo.

Já não há motivo.

Literatura Portuguesa

Os heterônimos de Fernando Pessoa

Fernando Pessoa é um caso único de desdobramento de si mesmo em outras personalidades poéticas. Os heterônimos de Pessoa não são máscaras literárias, não se confundem com pseudônimos. Ele não inventou personagens-poetas, mas criou obras de poetas, e, em função delas, as biografias de Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro.

Passagem das horas
(Álvaro de Campos)
Multipliquei-me, para me sentir,
Para me sentir, precisei sentir tudo,
Transbordei, não fiz senão extravasar-me,
Despi-me, entreguei-me,
E há em cada canto da minha alma um altar erguido a um deus diferente.
[…]
Esse fragmento do poema de Álvaro de Campos ressalta uma das principais contradições do homem moderno: de um lado, a superexcitação dos sentidos; de outro, a insatisfação, a sensação de que a vida é pouco, perante tantas possibilidades, mais sonhadas que reais.

Odes de Ricardo Reis
Fragmento 1
Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.

Fragmento 2
Coroai-me de rosas,
Coroai-me em verdade
De rosas
Rosas que se apagam
Em fronte a apagar-se
Tão cedo!
Coroai-me de rosas
E de folhas breves.
E basta.
No fragmento 1, em que os versos decassílabos se alternam com redondilhas, o sujeito lírico tematiza a nossa necessidade de equilíbrio e de “inteiridade”, em oposição à fragmentação e ao exagero. No fragmento 2, com versos alternadamente de seis e duas sílabas métricas, sobressaem os sentidos da vida como passagem, como transitoriedade.

O guardador de rebanhos
(Alberto Caeiro)
Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.
O poema identifica o ato de pensar com a relação sensorial do corpo com o mundo, destacando a felicidade proporcionada pelos sentidos, em comunhão direta com a natureza.

Literatura Brasileira

Joaquim Manuel de Macedo

Joaquim Manuel de Macedo foi o primeiro autor de prosa romântica a alcançar popularidade. Seu estilo coloquial agradou ao novo público constituído de jovens senhoras e estudantes. Seu primeiro romance, A Moreninha, pertence ao gênero do romance urbano.

O escritor, formado em Medicina no Rio de Janeiro, ambientou A Moreninha na Corte carioca. Os quatro principais personagens masculinos são estudantes de Medicina que vivem em uma república. Filipe aposta que Augusto, um namorador, irá se apaixonar por uma das jovens presentes na ilha onde o grupo passa o fim de semana. Leopoldo e Fabrício são testemunhas da aposta. Augusto se apaixona por Carolina, conhecida como a Moreninha, e perde a aposta.

Os enredos de Macedo foram muitas vezes condenados por apresentarem excessiva frivolidade. Por outro lado, foi reconhecida a inovação do autor no uso de uma linguagem coloquial. Não se discute, no entanto, o fato de que a função de suas obras era entreter o público. Nelas, o mundo é visto por lentes cor de rosa, que disfarçam os conflitos humanos mais complexos e separam perfeitamente o mal do bem, que sempre triunfa.